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Qual a função do hidróxido de alumínio em vacinas?

hidróxido-aluminio-vacina

O Hidróxido de Alumínio é o único adjuvante aprovado para uso em humanos. Esta substância tem sido largamente utilizada na prática de vacinas há algum tempo. É atualmente o único adjuvante autorizado para uso em humanos e é também utilizado em vacinas veterinárias. No Japão, o Hidróxido de Alumínio é utilizado em vacinas humanas como a do tétano; combinada de tétano e difteria; combinada de difteria purificada, tétano e hepatite B entre outras. Além do mais em vacinas veterinárias como a Newcastle, a Febre Efêmera, o Haemophilus e a Encefalite japonesa. Porém, muitos estudos têm evidenciado a neurotoxicidade de componentes de alumínio, relacionada a doenças como Alzheimer e encefalopatias. 

Este adjuvante induz o aumento na migração macrofágica e neutrofílica para o sítio de inoculação. Isto pode explicar o fato que dentre os efeitos colaterais do seu uso temos o eritema, nódulos subcutâneos, hipersensibilidade de contato e inflamação granulomatosa. Por outro lado, apresenta poucos ou nenhum sintoma sistêmico imediato, porém dados não publicados de Rezende e Lima mostraram que este adjuvante pode induzir alteração nas proporções de células T CD8+ (aumento após 24h da administração) e T CD4+ (aumento após 72h da administração). Podendo, portanto, ter sua capacidade de estimular resposta celular reduzida devido ao retardo na presença de linfócitos T CD4+ no sítio inflamatório. 

Goto et al mostraram que o Hidróxido de Alumínio induz um aumento da permeabilidade vascular associado a efeito tóxico sobre macrófagos . Além do mais não é eficaz com todos os antígenos, e estimula principalmente a imunidade humoral, sendo muito pobre a indução de resposta mediada por célula. Outro dado importante foi publicado por Harris et al em 1996 que observaram redução na capacidade de indução de resposta citotóxica devido à inibição de acesso antigênico ao MHC de classe I. Estes dados podem estar associados à observação de que há progressiva redução dos linfócitos T CD8+ no infiltrado após 72 horas de estimulação com este adjuvante. Em relação ao estudo da indução de linfócitos B, há aumento significativo destas células após 24h do inóculo. Isto pode ser parcialmente associado às seguintes observações: 

1- o Hidróxido de Alumínio induz, predominantemente, resposta imunológica do tipo Th2, associada à produção de interleucina (IL) 4 e anticorpos IgG1, IgE e IgA secretado e induz a produção de citocinas IL- 4, IL-5, IL-6, e IL-10; 

2- tem sido utilizado em vacinas experimentais anti-HIV, aumentando a produção específica de anticorpos. Isto pode refletir um “conflito de interesses” no sistema imunológico estimulado pela vacina e adjuvante

O adjuvante estimula células T, talvez mais predominantemente Th2, enquanto partículas não associadas ao adjuvante podem estimular outro tipo de resposta. Este predomínio de resposta Th2 deve ser responsável pelas observações que o Hidróxido de Alumínio atrai eosinófilos para o local de inoculação da vacina, e estimula a produção de anticorpos IgE. Devido a isto tem sido sugerido que a utilização periódica de vacinas associadas a componentes de alumínio pode estar relacionada ao aumento da incidência de doenças alérgicas.


Ref. 

Goto N, Kato H, Maeyama J, Eto K, Yoshihara S. Studies on the toxicities of aluminium hydroxide and calcium phosphate as immunological adjuvants for vaccines. Vaccine. 1993;11:914-8. 

Harris SJ, Woodrow SA, Gearing AJ, Adams SE, Kingsman AJ, Layton GT. The effects of adjuvants on CTL induction by V3:Ty-virus-like particles (V3-VLPs) in mice. Vaccine. 1996;14: 971-6. 
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